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Alavancagem financeira: grau de alavancagem financeira e efeito sobre a rendibilidade (exercício resolvido)

Como a dívida amplifica a rendibilidade dos capitais próprios: grau de alavancagem financeira, efeito de alavanca e exercício resolvido com cenários.

Pedir dinheiro emprestado pode aumentar a rendibilidade dos sócios, ou transformá-la em perda. Tudo depende de a empresa ganhar com os activos mais do que paga de juros. Este exercício resolve o grau de alavancagem financeira, compara financiamento por capitais próprios e por dívida e mostra o limiar em que a alavanca deixa de compensar.

Infografia com os pontos principais de: Alavancagem financeira: grau de alavancagem financeira e efeito sobre a rendibilidade (exercício resolvido)

Conceitos e fórmulas

Alavancagem financeira é o efeito da dívida, com encargos financeiros fixos (juros), sobre o resultado depois de juros e a rendibilidade dos capitais próprios.

  • Grau de alavancagem financeira (GAF) = EBIT / (EBIT - juros), isto é, EBIT / resultado antes de impostos.
  • Grau de alavancagem total (GAT) = GAO x GAF: o efeito conjunto de custos fixos e dívida sobre o resultado antes de impostos, para uma variação das vendas.
  • Efeito de alavanca: se a rendibilidade do activo antes de juros for superior ao custo da dívida, cada unidade de dívida acrescenta rendibilidade aos sócios; se for inferior, retira.

Exemplo 1: o GAF

Uma empresa tem EBIT de 120 000 e dívida de 400 000 a 10% de juros (valores ilustrativos), logo juros de 40 000. O GAF é 120 000 / (120 000 - 40 000) = 1,5. Se o EBIT subir 10% para 132 000, o resultado antes de impostos passa de 80 000 para 92 000: +15%. Se o EBIT descer 10%, o resultado antes de impostos desce 15%.

Se a empresa tiver um GAO de 2,5 (calculado ao nível de vendas actual), o GAT é 2,5 x 1,5 = 3,75: um aumento de 10% nas vendas faz o resultado antes de impostos crescer 37,5%. Confirmação: com vendas +10%, o EBIT passa de 120 000 para 150 000 (+25%) e o resultado antes de impostos de 80 000 para 110 000 (+37,5%).

Exemplo 2: dívida contra capitais próprios

Duas formas de financiar activos de 1 000 000. A empresa A usa só capitais próprios. A empresa B usa 600 000 de capitais próprios e 400 000 de dívida a 10%. Imposto de 25% (ilustrativo; varia por país e muda com o tempo). Calculamos a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) com quatro níveis de EBIT:

EBITRendibilidade do activo (EBIT/activo)Resultado líquido AROE AJuros BResultado líquido BROE B
40 0004%30 0003,0%40 00000,0%
100 00010%75 0007,5%40 00045 0007,5%
120 00012%90 0009,0%40 00060 00010,0%
200 00020%150 00015,0%40 000120 00020,0%

Cálculos da empresa B com EBIT de 120 000: resultado antes de impostos 80 000, imposto 20 000, resultado líquido 60 000, ROE = 60 000 / 600 000 = 10%. Com EBIT de 200 000: 160 000 de resultado antes de impostos, imposto 40 000, líquido 120 000, ROE de 20%.

O limiar: quando a dívida compensa

Quando a rendibilidade do activo (4% no primeiro caso) é inferior ao custo da dívida (10%), a dívida reduz o ROE de B, que fica em 0% contra 3% de A. Quando coincide (10%), os ROE são iguais, 7,5%. Acima do custo da dívida, B ganha vantagem crescente: 10% contra 9%, e 20% contra 15%.

A regra prática: a dívida amplifica; não cria rendibilidade. Num bom ano aumenta o ROE, num mau ano agrava as perdas. E há um custo escondido, o risco: os juros têm de ser pagos mesmo quando o EBIT cai, e o incumprimento pode levar à perda da empresa.

Como se liga à análise financeira

  • Rácios de cobertura: EBIT / juros (aqui 120 000 / 40 000 = 3 vezes) mostra quão folgada é a capacidade de pagar juros. Abaixo de 1, o EBIT não chega para os juros.
  • Estrutura de capitais: o rácio dívida / capitais próprios mede o peso do financiamento alheio; quanto maior, maior o GAF.
  • DuPont: o multiplicador de capital próprio (activo / capital próprio) é o veículo da alavancagem financeira na decomposição do ROE.
  • Custo da dívida: compare o juro após benefício fiscal, quando os juros são dedutíveis; as regras de dedutibilidade variam por país.

Veja ainda estrutura de capital e ROE e ROA.

Erros frequentes

  • Usar EBIT depois de impostos ou juros no numerador do GAF; é antes de ambos.
  • Tratar o GAT como produto de duas fórmulas calculadas em níveis de vendas diferentes: ambos têm de se referir ao mesmo ponto.
  • Esquecer que o imposto reduz o ganho e a perda: se a empresa tem prejuízo, o benefício fiscal pode não existir.
  • Concluir que mais dívida é sempre melhor. O limite é o risco de insolvência, não só o custo dos juros.

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Perguntas frequentes

O que é o grau de alavancagem financeira?

É a razão EBIT / (EBIT - juros). Mostra quanto varia o resultado antes de impostos quando o EBIT varia 1%.

A dívida aumenta sempre o ROE?

Não. Só aumenta se a rendibilidade do activo for superior ao custo da dívida; caso contrário reduz o ROE.

Qual a diferença entre alavancagem operacional e financeira?

A operacional vem dos custos fixos de exploração e actua entre vendas e EBIT; a financeira vem dos juros e actua entre EBIT e resultado antes de impostos.

O que é o grau de alavancagem total?

É o produto do GAO pelo GAF: mede a variação do resultado antes de impostos por cada 1% de variação das vendas.

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