Rendibilidade do capital próprio (ROE) e do activo (ROA)
ROE e ROA explicados: fórmulas, exemplos resolvidos, diferenças, como interpretar e limitações dos rácios de rendibilidade.
ROE e ROA são os rácios de rendibilidade mais citados nas notícias económicas e nos exames de análise financeira. Respondem a perguntas diferentes: o ROA pergunta quanto rende tudo o que a empresa possui, o ROE pergunta quanto rende o dinheiro dos sócios.

Definições e fórmulas
- ROA (rendibilidade do activo) = resultado líquido ÷ activo total (médio). Alguns autores usam o resultado operacional após impostos, para neutralizar a estrutura financeira.
- ROE (rendibilidade do capital próprio) = resultado líquido ÷ capital próprio (médio).
O ROA mede a eficiência com que os recursos totais, financiados por sócios e credores, geram lucro. O ROE mede o retorno para quem investiu capital próprio. A ligação entre os dois é a alavancagem: ROE = ROA × (activo ÷ capital próprio).
Exemplo resolvido
Valores ilustrativos, em milhares de Kz. Uma empresa tem no fim de 2024: activo 500 000; capital próprio 200 000; passivo 300 000; resultado líquido 30 000. No início do ano, activo 460 000 e capital próprio 180 000.
- Activo médio = (500 000 + 460 000) ÷ 2 = 480 000. ROA = 30 000 ÷ 480 000 = 6,25%.
- Capital próprio médio = (200 000 + 180 000) ÷ 2 = 190 000. ROE = 30 000 ÷ 190 000 = 15,8%.
- Alavancagem = 480 000 ÷ 190 000 = 2,53. Confirmação: 6,25% × 2,53 ≈ 15,8%.
O ROE é muito superior ao ROA porque mais de metade do activo é financiado por terceiros.
Efeito da dívida: alavanca a favor e contra
Considere duas empresas com o mesmo activo de 1 000 e o mesmo resultado operacional de 100 (10% do activo). Para simplificar, ignore impostos.
- Sem dívida: capital próprio 1 000; resultado 100; ROE = 10%.
- Com dívida de 500 a 6% (juros 30): capital próprio 500; resultado 70; ROE = 14%.
- Se o resultado operacional cair para 40: sem dívida, ROE = 4%; com dívida, o resultado é 10 e o ROE = 2%.
A dívida amplia ganhos quando o activo rende mais do que o custo do dinheiro e amplia perdas quando não rende. Por isso um ROE elevado não pode ser avaliado sem olhar para o endividamento.
Como interpretar os valores
- Compare sempre com o sector: bancos, comércio e indústria têm níveis muito diferentes.
- Compare com o custo do capital: um ROE abaixo do retorno exigido pelos sócios significa que a empresa não cria valor para eles.
- Observe a evolução em vários anos, não um só ano.
- Confirme se o resultado inclui itens extraordinários, como ganhos na venda de imóveis, que não se repetem.
Para decompor o ROE nos seus factores, veja a análise DuPont.
Limitações dos rácios
- Dependem de políticas contabilísticas: depreciações, provisões e reavaliações alteram resultado e capital próprio.
- Capital próprio muito reduzido (por prejuízos acumulados) gera ROE enganadoso; capital próprio negativo torna o rácio sem sentido.
- Valores históricos de activos antigos podem estar muito abaixo do valor real, inflacionando o ROA.
- Em contextos de inflação alta, resultados nominais podem esconder perdas reais.
- São rácios de passado: não garantem o futuro.
Em Angola e em Portugal
A fórmula é a mesma, mas as demonstrações financeiras seguem referenciais diferentes: o Plano Geral de Contabilidade angolano e o SNC em Portugal. Os impostos sobre o lucro (Imposto Industrial em Angola, IRC em Portugal) reduzem o resultado líquido, e as taxas variam e mudam com o tempo; confirme na lei em vigor. Quando compara empresas de países diferentes, convém também considerar inflação e moeda de relato.
Exercício e resolução
A empresa X tem activo médio de 800, capital próprio médio de 320 e resultado líquido de 48. A empresa Y tem activo médio de 800, capital próprio médio de 600 e resultado líquido de 48 (valores ilustrativos).
- ROA de X = 48 ÷ 800 = 6%. ROA de Y = 48 ÷ 800 = 6%.
- ROE de X = 48 ÷ 320 = 15%. ROE de Y = 48 ÷ 600 = 8%.
O desempenho operacional é igual (ROA idêntico), mas X entrega mais ao sócio porque usa mais dívida. Isto não significa que X seja melhor: tem passivo de 480 contra 200 de Y e, portanto, um risco financeiro maior. Se os juros subirem ou as vendas caírem, X sofre mais.
Ao responder a um exame, escreva as fórmulas, mostre as contas, comente a diferença e termine com a ressalva do risco. Mencione ainda que, com dados reais, convém usar valores médios e verificar se o resultado do ano contém elementos não recorrentes.
Para empresas pequenas, calcular o ROE e o ROA todos os anos é uma boa disciplina de gestão: permite perceber se a actividade realmente remunera o capital investido pelos sócios ou se estes poderiam obter retorno semelhante com menos risco noutra aplicação.
Dicas para estudar o tema
- Memorize as duas fórmulas e a relação ROE = ROA × alavancagem: aparece em muitos exames.
- Resolva exercícios com e sem dívida para ver o efeito da alavanca.
- Pratique com relatórios anuais de empresas reais, calculando os rácios dos últimos três anos.
- Acompanhe sempre o rácio com um comentário: o número sem interpretação não vale pontos.
- Reveja as definições de activo, passivo e capital próprio para evitar erros de base.
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Perguntas frequentes
Qual é mais importante, ROE ou ROA?
Nenhum substitui o outro. O ROA mostra a eficiência operacional, o ROE o retorno dos sócios. Analise-os em conjunto com o endividamento.
Um ROE de 20% é bom?
Depende do sector, do risco e do custo do capital. Também importa saber se resulta de boa operação ou de muita dívida.
Devo usar valores médios ou finais?
Os médios são preferíveis, porque o resultado se forma ao longo do ano. Se só tiver dados finais, use-os mas indique-o.