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Fecho de exercício: o que a empresa deve preparar antes do contabilista começar

Guia prático do fecho de exercício: inventários, saldos, regularizações, documentos e decisões do gestor. Cronograma e checklist para preparar o ano.

O fecho de exercício é o momento em que o ano se transforma em demonstrações financeiras, impostos e decisões. Quanto mais a empresa prepara, menos tempo e dinheiro se gasta, e menos surpresas aparecem em Janeiro.

Imagem ilustrativa: Fecho de exercício: o que a empresa deve preparar antes do contabilista começar

O que é o fecho de exercício

É o conjunto de trabalhos que encerra o período contabilístico, normalmente o ano civil, e produz as demonstrações financeiras: balanço, demonstração de resultados e anexo, entre outras exigidas no seu país. Inclui verificar saldos, fazer regularizações e apurar o resultado.

Ao contrário do fecho mensal, mais leve, o anual exige confirmações externas e decisões de gestão sobre amortizações, perdas, provisões e distribuição de resultados.

Comece em Novembro, não em Janeiro

  1. Novembro: reunir com o contabilista para rever o ano, estimar o imposto e decidir investimentos.
  2. Dezembro: inventário físico de existências e de equipamentos, confirmação de saldos de clientes e fornecedores.
  3. Janeiro: entrega dos últimos documentos, fecho contabilístico e preparação das demonstrações.
  4. Depois: aprovação pelos sócios, entregas legais e pagamento dos impostos devidos.

Os prazos de aprovação e entrega variam por país e mudam com o tempo; peça as datas ao contabilista e confirme-as na lei em vigor.

Tarefas da empresa

  • Contar existências e registar diferenças com explicação.
  • Verificar a lista de equipamentos e abater os que já não existem.
  • Pedir confirmação de saldos aos principais clientes e fornecedores.
  • Rever dívidas de clientes de cobrança duvidosa e decidir o que fazer.
  • Reunir contratos de empréstimo, leasing, rendas e seguros com os valores em dívida no fim do ano.
  • Entregar ao contabilista todas as facturas do ano, incluindo as que chegaram tarde.

Tarefas do contabilista

  • Reconciliar todas as contas bancárias a 31 de Dezembro.
  • Apurar acréscimos e diferimentos: gastos e rendimentos que pertencem ao ano mas ainda não foram facturados ou pagos.
  • Calcular amortizações e eventuais perdas por imparidade.
  • Fazer o apuramento do imposto sobre o lucro e das tributações autónomas aplicáveis.
  • Preparar as demonstrações financeiras e o anexo.

Decisões do gestor que mudam os números

Exemplos de decisões de fecho
DecisãoEfeito no resultadoPergunta a fazer
Abater dívida incobrávelReduz o lucroHá prova de tentativas de cobrança?
Adiar ou antecipar uma despesaMuda o ano em que o gasto é reconhecidoFaz sentido do ponto de vista de negócio e não só fiscal?
Distribuir dividendosReduz a tesouraria e os resultados transitadosA empresa tem caixa e reservas para isso?
Reforçar reservasRetém capacidade de investimentoHá plano de uso para essas reservas?

Estas decisões devem ser tomadas por razões de negócio e dentro das regras. Não se altera a data de uma factura para mudar o ano.

Em Angola e em Portugal

Em Angola, o fecho segue o Plano Geral de Contabilidade e o calendário da AGT para o Imposto Industrial e outras obrigações. Em Portugal, aplica-se o SNC, com declarações anuais como a IES e o IRC, também sujeitas a calendário oficial. Em ambos os casos, a empresa deve confirmar quais as demonstrações exigidas à sua dimensão.

Sinais de que o fecho vai correr bem

  • Saldos bancários batem com extractos.
  • Existem actas e decisões escritas sobre os pontos sensíveis.
  • Os sócios sabem quando vão ser chamados a aprovar contas.
  • O imposto estimado em Novembro está próximo do final.

Um exemplo numérico simples

Uma empresa tem vendas de 10 000 000 Kz e gastos registados de 8 500 000 Kz. No fecho descobre que existe uma renda de Dezembro, de 300 000 Kz, ainda não facturada pelo senhorio, e uma factura de cliente de 400 000 Kz com perda provável de cobrança. O contabilista regista o acréscimo da renda e, se as regras o permitirem, a perda por imparidade. O resultado passa de 1 500 000 Kz para 800 000 Kz antes de impostos. Valores ilustrativos; o tratamento fiscal das perdas varia por país.

A lição é que o resultado do ano só é conhecido depois das regularizações. Quem decide distribuir dividendos ou pagar bónus antes do fecho corre o risco de distribuir um lucro que não existe.

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Perguntas frequentes

Posso fechar o ano mais cedo?

Pode antecipar o trabalho, mas os valores definitivos só existem depois do último dia do exercício. O que se antecipa é a preparação.

O que acontece se não aprovar as contas a tempo?

Pode haver coimas ou consequências para os administradores, variando por país. Confirme o prazo legal e programe a assembleia com antecedência.

Sou obrigado a ter inventário físico?

Em empresas com existências, é a forma mais fiável de confirmar o stock. Mesmo nas que não têm, vale a pena conferir imobilizado.

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