Taxa de juro, spread, TAN e TAEG: qual é o custo real do crédito
Perceba taxa nominal, spread, TAN, TAEG, comissões e seguros. Exemplo resolvido para comparar ofertas de crédito e perceber o custo total.
Duas ofertas de crédito com a mesma taxa de juro anunciada podem custar valores muito diferentes. A razão está nas comissões, nos seguros e na forma como o juro é calculado. Saber ler estes conceitos é uma competência básica de literacia financeira e de análise bancária.

Taxa nominal, indexante e spread
A taxa nominal (TAN) é a taxa anual de juro contratada, sem incluir outros custos. Em crédito de taxa variável, divide-se em duas partes: o indexante (uma taxa de referência do mercado, como a Euribor em euros; em kwanzas, referências como a taxa do mercado interbancário de Luanda e as taxas de política do BNA) e o spread, a margem do banco.
Taxa = indexante + spread. O indexante muda com o mercado; o spread é negociado e, em geral, fixo durante o contrato (ou durante um período). Ao negociar, o spread é o que mais se consegue mexer.
O que compõe o spread
- Custo do financiamento do banco acima do indexante.
- Prémio de risco: quanto maior a probabilidade de incumprimento, maior o spread.
- Custos operacionais: pessoal, sistemas, balcões.
- Custo do capital exigido pelas regras prudenciais.
- Margem de lucro.
TAEG: a taxa que permite comparar
A TAEG (taxa anual de encargos efectiva global) inclui, além do juro, comissões, impostos e seguros exigidos como condição do crédito, expressos como taxa anual. Em muitos países, a lei obriga a divulgá-la em crédito aos consumidores, precisamente para permitir comparar ofertas. Em países sem esse regime, peça ao banco o custo total do crédito e calcule-o. Quando comparar, compare TAEG com TAEG.
Exemplo resolvido: duas ofertas com o mesmo juro
Empréstimo de 1 000 000 Kz a 12 meses. Valores ilustrativos.
Oferta A: TAN 12%, sem comissões. Prestação ≈ 88 849 Kz. Total pago ≈ 1 066 190. Custo total = 66 190.
Oferta B: TAN 11%, comissão de abertura de 2% (20 000) e seguro de 1 500 por mês (18 000 no ano). Prestação do capital e juros ≈ 88 379; total do capital e juros ≈ 1 060 550; mais comissão e seguro = 1 098 550. Custo total = 98 550.
A oferta B parece mais barata (11% contra 12%), mas custa quase 50% mais. É isto que a TAEG revela. Os valores de prestação são arredondados.
Juros de mora e outras comissões
Quando há atraso, aplica-se normalmente uma sobretaxa sobre o juro (juros de mora), limitada por lei em vários países. Outras comissões comuns: abertura de processo, avaliação do imóvel, reembolso antecipado, manutenção de conta, emissão de cartão. Peça sempre a lista completa, por escrito, antes de assinar.
Taxa efectiva e capitalização
Se um depósito paga 12% ao ano com juros capitalizados todos os meses, a taxa efectiva anual é maior do que 12%: (1 + 0,12/12)^12 − 1 ≈ 12,68%. Em crédito acontece o mesmo: prestações mensais implicam capitalização mensal. É a ideia dos juros compostos aplicada ao dia-a-dia bancário.
O papel do banco central e do mercado
O indexante reflecte, em grande medida, a política monetária. Quando o banco central sobe a taxa directora para combater a inflação, o custo de financiamento dos bancos sobe e as taxas dos créditos de taxa variável sobem a seguir. Em Angola, as decisões do BNA sobre a taxa básica e as reservas obrigatórias influenciam as taxas praticadas; na zona euro, as decisões do Banco Central Europeu reflectem-se na Euribor e, depois, nas prestações dos portugueses com crédito variável. Para o contexto geral, veja inflação.
O spread, por seu lado, depende do cliente e do banco. Dois clientes com o mesmo indexante podem pagar spreads muito diferentes se o risco percebido for diferente.
Exemplo de leitura de uma proposta
Um banco propõe: indexante 3% + spread 4% = 7% ao ano, comissão de abertura de 1%, seguro de vida de 25 por mês e comissão de processamento de 15 por mês. Num empréstimo de 10 000, a taxa de 7% soa bem; mas somando comissão (100), seguro (300 por ano) e processamento (180 por ano), o custo anual adicional é cerca de 580, ou 5,8% do capital inicial, o que eleva substancialmente o custo efectivo. Não se trata de uma conta exacta, apenas de uma ordem de grandeza ilustrativa; para o valor correcto, use a TAEG fornecida na ficha de informação.
Armadilhas frequentes
- Anunciar a taxa promocional dos primeiros meses e omitir a taxa seguinte.
- Taxa baixa condicionada à contratação de vários produtos, com custo próprio.
- Prestação baixa conseguida alargando muito o prazo, o que aumenta o total de juros.
- Comparar propostas com prazos ou montantes diferentes.
- Esquecer o imposto do selo ou outros impostos sobre crédito, que variam por país.
Checklist antes de assinar
- Pergunte a TAN, o indexante, o spread e a TAEG (ou o custo total).
- Peça a simulação com o plano de pagamentos completo.
- Verifique se os seguros são obrigatórios ou se pode escolher o seu.
- Confirme comissões de reembolso antecipado.
- Teste a prestação num cenário de subida de taxas (por exemplo, mais 2 pontos percentuais).
- Compare pelo menos duas propostas.
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Perguntas frequentes
Spread alto significa banco mais caro?
Não necessariamente: compare o custo total. Mas, para o mesmo indexante e mesmo risco, um spread menor é mais barato.
A TAEG inclui seguros?
Inclui os que são exigidos como condição de obtenção do crédito. Seguros facultativos geralmente ficam de fora, mas confirme a regra do seu país.
Posso negociar o spread?
Sim, sobretudo se tiver bom perfil, rendimentos estáveis ou relação com o banco, como domiciliação de salário. O banco não é obrigado a ceder.