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Desvios de mão-de-obra directa: desvio de taxa, de eficiência e de tempo ocioso (exercício resolvido)

Como calcular os desvios de mão-de-obra directa: taxa salarial, eficiência e tempo ocioso, com exercício resolvido e interpretação.

A mão-de-obra directa tem a mesma lógica dos materiais: o custo real pode afastar-se do padrão porque se pagou uma taxa horária diferente ou porque se gastaram mais horas do que o permitido. Este exercício resolve os dois desvios e mostra como separar ainda o tempo ocioso, que muitas vezes não é culpa de quem produz.

Infografia com os pontos principais de: Desvios de mão-de-obra directa: desvio de taxa, de eficiência e de tempo ocioso (exercício resolvido)

Fórmulas de base

  • Desvio de taxa = (taxa horária real - taxa horária padrão) x horas reais pagas.
  • Desvio de eficiência = (horas reais - horas padrão permitidas) x taxa padrão.
  • Horas padrão permitidas = unidades produzidas x horas padrão por unidade.

O paralelo com os materiais é directo: a taxa corresponde ao preço, as horas correspondem à quantidade. Mantém-se a convenção D (desfavorável) e F (favorável) em relação ao lucro.

Enunciado

O padrão de uma unidade é 2 horas de mão-de-obra directa a 6,00 u.m. por hora, isto é, 12 por unidade (valores ilustrativos). No mês foram produzidas 5 000 unidades. A empresa pagou 10 800 horas a 6,50 por hora, num total de 70 200. Dessas 10 800 horas, 600 foram horas de paragem por avaria de máquina.

Resolução: taxa e eficiência

Horas padrão permitidas: 5 000 x 2 = 10 000 horas. Custo padrão da produção real: 10 000 x 6,00 = 60 000. Desvio total: 70 200 - 60 000 = 10 200 D.

DesvioCálculoResultado
Taxa(6,50 - 6,00) x 10 8005 400 D
Eficiência(10 800 - 10 000) x 6,004 800 D
Total5 400 + 4 80010 200 D

A empresa pagou mais 0,50 por hora, o que explica 5 400, e gastou mais 800 horas do que o permitido, o que explica 4 800.

Separar o tempo ocioso

Das 800 horas a mais, 600 foram de paragem. Não se trata de trabalhadores lentos: as máquinas pararam e os operários ficaram a ser pagos sem produzir. Separando:

DesvioCálculoResultado
Tempo ocioso600 x 6,003 600 D
Eficiência (horas produtivas)(10 200 - 10 000) x 6,001 200 D
Total de eficiência3 600 + 1 2004 800 D

O desvio de eficiência dos operários desce de 4 800 para 1 200, uma vez que 3 600 se devem a avarias, cuja responsabilidade está na manutenção ou na gestão da produção. Sem esta separação, a avaliação dos trabalhadores seria injusta.

Causas e leitura dos resultados

DesvioCausas possíveis
Taxa desfavorávelHoras extraordinárias pagas com majoração, trabalhadores mais qualificados do que o previsto, aumento salarial não incorporado no padrão, falta de mão-de-obra
Taxa favorávelTrabalhadores menos qualificados ou menos experientes, com possível efeito negativo na eficiência
Eficiência desfavorávelFalta de formação, material defeituoso, máquinas mal reguladas, má organização do trabalho, padrão irrealista
Tempo ociosoAvarias, falta de materiais, falhas de planeamento, procura insuficiente

Tal como nos materiais, os desvios podem compensar-se. Contratar trabalhadores mais qualificados aumenta a taxa mas pode reduzir as horas gastas por unidade; avalie sempre o resultado conjunto, não cada desvio isoladamente.

Aplicação prática em Angola e em Portugal

  • Encargos sociais: a taxa horária padrão deve incluir o custo total para a empresa (salário base, subsídios, contribuições para a segurança social), não só o salário líquido. A composição varia por país e muda com o tempo; confirme a regra em vigor.
  • Horas extraordinárias e trabalho nocturno têm majorações previstas na lei laboral de cada país; se não estiverem no padrão, produzem desvio de taxa.
  • Revisão salarial: um aumento do salário mínimo ou da negociação colectiva a meio do ano altera a taxa real; actualize o padrão ou documente o desvio como não controlável.

Para o enquadramento teórico veja custo-padrão e desvios orçamentais.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre desvio de taxa e desvio de eficiência?

O de taxa mede o efeito de pagar mais ou menos por hora; o de eficiência mede o efeito de gastar mais ou menos horas do que o permitido para a produção obtida.

O tempo ocioso entra no desvio de eficiência?

Pode entrar, mas é boa prática isolá-lo, porque a sua causa é normalmente avaria ou falta de materiais e não o ritmo dos trabalhadores.

Os desvios de mão-de-obra são sempre controláveis?

Nem sempre. Os de taxa podem vir de decisões salariais gerais; os de eficiência ou ociosidade dependem de quem gere cada recurso.

Pode haver desvio de taxa se não houver horas extra?

Sim, por exemplo se a categoria de trabalhadores usada for diferente da prevista no padrão, ou se houve aumento salarial.

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