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Seguros não-vida e resseguro: ramos, tarifação e transferência de risco

Seguros não-vida (automóvel, incêndio, responsabilidade civil), tarifação e resseguro proporcional e não proporcional com exemplos numéricos.

Os seguros não-vida cobrem danos em bens, responsabilidades e outros riscos de curto prazo. Representam grande parte do negócio segurador e dependem de um mecanismo essencial: a seguradora, por sua vez, também se protege, através do resseguro.

Infografia com os pontos principais de: Seguros não-vida e resseguro: ramos, tarifação e transferência de risco

Principais ramos não-vida

Ramos mais comuns
RamoRisco cobertoCaracterística
AutomóvelDanos próprios, responsabilidade civil a terceirosMuito frequente; obrigatório em muitos países na vertente de responsabilidade civil
Incêndio e multirriscosDanos em edifícios e recheio por incêndio, inundação, etc.Valor seguro deve reflectir valor real
Responsabilidade civilIndemnização a terceiros por danos causadosSinistros podem demorar a ser liquidados
Acidentes de trabalhoDanos a trabalhadores em serviçoObrigatório em muitos países; regras locais
Transportes e cargaMercadorias em trânsitoRelevante para importação e exportação
Saúde e acidentes pessoaisDespesas médicas, invalidezClassificação varia por país
Caução e créditoIncumprimento de obrigaçõesLigado a contratos e financiamento

As classificações exactas e a obrigatoriedade de cada seguro variam por país e mudam com o tempo; confirme na legislação em vigor.

Como se forma o preço: tarifação

A tarifação procura que o prémio cubra os sinistros esperados, os custos e a margem. Os factores mais usados são a frequência e a gravidade dos sinistros: prémio puro = frequência média × custo médio.

Exemplo ilustrativo: numa carteira de automóvel, 8 em cada 100 veículos têm um sinistro por ano e o custo médio de cada sinistro é de 250 000 Kz. Prémio puro = 0,08 × 250 000 = 20 000 Kz. Se os custos de gestão e comissões forem 30% do prémio comercial e a margem de lucro for 5%: prémio comercial = 20 000 / (1 − 0,35) ≈ 30 769 Kz.

Depois, o segurador segmenta os clientes por factores de risco (idade, zona, utilização) para que paguem consoante o risco que representam.

Sinistralidade e rácio combinado

  • Taxa de sinistralidade: sinistros / prémios. No exemplo, 20 000 / 30 769 = 65%.
  • Rácio de despesas: custos de aquisição e gestão / prémios, aqui 30%.
  • Rácio combinado: soma dos dois, 95% no exemplo. Abaixo de 100% há lucro técnico; acima, prejuízo técnico, que pode ser compensado por rendimentos financeiros.

O que é o resseguro

Resseguro é o seguro do segurador: a seguradora (cedente) transfere parte dos riscos e dos prémios para um ressegurador. Permite assumir riscos maiores do que o seu capital suportaria, estabilizar resultados e proteger contra catástrofes. Em muitos mercados, incluindo o lusófono, uma parte relevante dos grandes riscos é ressegurada no exterior.

Resseguro proporcional e não proporcional

Formas de resseguro
TipoComo funcionaExemplo
Quota-parteCede-se uma percentagem fixa de cada risco e dos prémiosCede 40% de todos os seguros de incêndio; o ressegurador paga 40% dos sinistros
ExcedenteCede-se a parte que ultrapassa um plafond de retençãoRetém 5 milhões por risco; o excedente é cedido
Excesso de perdas (XL)O ressegurador paga a parte do sinistro que excede uma prioridadePaga o que passar de 20 milhões, até um limite
Stop lossProtege a carteira se a sinistralidade anual ultrapassar um nívelIntervém se o rácio passar de 90%

Exemplo de quota-parte: sinistro de 10 milhões com cedência de 40%. O ressegurador paga 4 milhões e a seguradora, 6 milhões. Em excesso de perdas com prioridade de 2 milhões, o mesmo sinistro faria o ressegurador pagar 8 milhões. Valores ilustrativos.

Retrocessão e co-seguro

  • Retrocessão: o ressegurador transfere por sua vez parte do risco a outros.
  • Co-seguro: vários seguradores subscrevem directamente o mesmo risco, cada um com a sua quota, em vez de existir transferência entre segurador e ressegurador.

Contabilidade e regulação

O resseguro cedido reduz prémios retidos e provisões, mas cria créditos sobre resseguradores e risco de contraparte. As seguradoras têm requisitos de solvência e de provisões técnicas definidos pelo regulador de cada país. Veja contabilidade de seguros para os efeitos nas demonstrações financeiras.

Exemplo de leitura de uma carteira

Uma seguradora tem uma carteira de multirriscos habitação com 50 000 000 Kz de prémios anuais. Sinistros pagos de 30 000 000, despesas de 15 000 000. Rácio de sinistralidade = 60%; despesas = 30%; combinado = 90%, ou seja, um resultado técnico positivo de 5 000 000 antes de resseguro e de rendimentos financeiros. Se um evento catastrófico, como uma inundação generalizada, multiplicar os sinistros por três, só a protecção de resseguro de excesso de perdas evitaria que o resultado ficasse severamente negativo. É este o papel estabilizador do resseguro.

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Perguntas frequentes

Porque é que as seguradoras precisam de resseguro?

Para limitar o impacto de grandes sinistros e catástrofes, aumentar a capacidade e estabilizar resultados.

O cliente tem relação com o ressegurador?

Em regra não: o contrato do cliente é com o segurador, que responde perante ele mesmo que ceda parte do risco.

Seguro automóvel é obrigatório?

A obrigatoriedade e as coberturas mínimas dependem da lei de cada país; confirme na legislação local.

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