Prestação constante ou amortização constante: qual custa menos
Compare o sistema de prestações constantes com o de amortização constante num exemplo numérico: custo total, fluxo de caixa e quando cada um convém.
Dois empréstimos com o mesmo capital, prazo e taxa podem ter planos de pagamento muito diferentes. Os dois métodos mais ensinados são o de prestações constantes e o de amortizações constantes. Comparar ambos com o mesmo exemplo mostra que a pergunta certa não é qual é melhor, mas qual se adapta ao seu rendimento.

As duas lógicas em uma frase
No sistema de prestações constantes, todas as prestações têm o mesmo valor; a parte de juros baixa e a de capital sobe. No sistema de amortizações constantes (também chamado sistema de amortização constante ou SAC, no Brasil), o capital amortizado é igual em cada período, pelo que a prestação começa alta e vai descendo à medida que os juros diminuem.
O exemplo comum
Empréstimo de 120 000, taxa de 6% ao ano, pagamento anual durante 5 anos. Valores ilustrativos, em moeda genérica.
Prestações constantes. R = 120 000 × 0,06 ÷ (1 − 1,06^−5) = 7 200 ÷ 0,2527 = 28 488 por ano. Os juros pagos em cada ano são 7 200, 5 923, 4 569, 3 134 e 1 613, num total de 22 438.
Amortizações constantes. Amortização anual = 120 000 ÷ 5 = 24 000. As prestações são 31 200, 29 760, 28 320, 26 880 e 25 440 (amortização mais juros sobre o saldo). Os juros somam 7 200 + 5 760 + 4 320 + 2 880 + 1 440 = 21 600.
Comparação dos resultados
- Custo total em juros: 22 438 contra 21 600. A amortização constante custa menos, 838 neste exemplo.
- Primeira prestação: 28 488 contra 31 200. A prestação constante é mais suave no início.
- Última prestação: 28 488 contra 25 440.
- Ritmo de redução da dívida: na amortização constante o saldo desce mais depressa, daí os juros totais menores.
Porque é que a amortização constante custa menos
Porque paga mais capital cedo. Cada unidade monetária de capital reembolsada mais cedo deixa de gerar juros nos períodos seguintes. A diferença não é uma oferta do banco: é aritmética. Em compensação, exige mais folga de tesouraria no arranque.
É por isso que o valor da prestação inicial pode ser o factor decisivo. A prestação mais baixa inicialmente permite a quem tem rendimentos crescentes (um jovem no início de carreira, uma empresa em expansão) cumprir com segurança, mesmo pagando um pouco mais de juros.
Qual convém a quem
- Rendimento estável e limitado: prestações constantes facilitam o orçamento, porque o valor é previsível todos os meses.
- Rendimento alto no presente e folga de caixa: amortização constante poupa juros.
- Empresas: a escolha depende do ciclo de caixa do projecto financiado. Um investimento que só gera receita ao fim de dois anos pode pedir período de carência antes de qualquer método.
- Taxa variável: a lógica mantém-se, mas a prestação é recalculada sempre que a taxa de referência se altera.
Outras variantes que encontra no mercado
- Carência de capital: durante algum tempo só paga juros.
- Prestação crescente: começa baixa e sobe, ligada a expectativas de rendimentos maiores.
- Pagamento final (balão): uma última prestação elevada, comum em leasing e crédito automóvel.
- Bullet: só paga juros durante o prazo e devolve o capital no fim, mais usado em obrigações do que em crédito a particulares.
Como testar na prática
- Escreva o capital, a taxa por período e o número de períodos.
- Calcule a prestação constante com a fórmula de anuidade.
- Calcule a tabela de amortização constante, em que o saldo desce em passos iguais.
- Compare o total de juros e o esforço mensal inicial.
- Verifique se o rendimento aguenta a maior prestação do sistema constante em amortização. Em geral, a taxa de esforço (prestações a dividir pelo rendimento) é o limite prático.
Fluxo de caixa mensal: o que o orçamento sente
Passe o exemplo para escala mensal. Num empréstimo de 1 200 000 a 12 meses, a amortização constante implica 100 000 de capital por mês, mais juros de 12 000 no primeiro mês (1% sobre 1 200 000): a primeira prestação é 112 000. A prestação constante seria 106 619. A diferença de 5 381 no primeiro mês pode parecer pequena, mas para uma família ou uma pequena empresa com margem curta é a que decide se o crédito é comportável. Por isso, o cálculo deve começar pelo rendimento líquido disponível e só depois pelo custo total.
Em estudos de caso para exames, peça-se sempre a justificação: indique o critério (custo total ou fluxo de caixa) que usou para recomendar um sistema. Uma resposta só com contas, sem critério, perde pontos.
Exercício para resolver sozinho
Um empréstimo de 90 000, taxa de 8% ao ano, 3 anos, pagamento anual. Calcule (a) a prestação constante, (b) as três prestações do sistema de amortização constante e (c) a diferença de juros totais.
Solução. (a) R = 90 000 × 0,08 ÷ (1 − 1,08^−3) = 7 200 ÷ 0,20608 = 34 935. Total pago = 104 805, juros = 14 805. (b) Amortização = 30 000; prestações: 30 000 + 7 200 = 37 200; 30 000 + 4 800 = 34 800; 30 000 + 2 400 = 32 400. Total pago = 104 400, juros = 14 400. (c) A diferença é 405 a favor da amortização constante. Repare que a diferença é pequena num prazo curto e cresce com o prazo e com a taxa.
A conclusão prática: em créditos longos, a escolha de sistema pesa mais do que em créditos curtos, e a análise da capacidade de pagamento deve vir antes da análise do custo.
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Perguntas frequentes
Os bancos oferecem os dois sistemas?
Depende do país e do produto. Em Portugal, o crédito habitação usa quase sempre prestações constantes; no Brasil, o SAC é comum no financiamento imobiliário. Em Angola, confirme com cada instituição.
Qual tem juros totais mais baixos?
Para o mesmo capital, taxa e prazo, a amortização constante, porque reduz a dívida mais depressa.
A taxa de esforço é um limite legal?
Em alguns países existem recomendações ou regras prudenciais do regulador; os valores variam e mudam com o tempo, pelo que deve confirmar a regra em vigor.