Taxa nominal, efectiva e real: como comparar créditos e depósitos
Diferença entre taxa nominal, efectiva, real e TAEG, com fórmulas e exemplos resolvidos para comparar ofertas de crédito e de poupança.
Dois bancos anunciam taxas diferentes, mas qual das ofertas é de facto mais barata? A resposta exige distinguir taxa nominal, taxa efectiva e taxa real. Percebê-las evita comparações enganadoras, seja ao pedir um crédito, seja ao escolher onde aplicar poupanças.

Taxa nominal: o número anunciado
A taxa nominal é a taxa indicada no contrato ou no anúncio, normalmente em base anual, sem considerar quantas vezes por ano os juros são capitalizados. Dizer que um empréstimo custa 12% ao ano nominal, com juros capitalizados mensalmente, significa que cada mês se aplica 1% (12% ÷ 12). O problema é que 1% por mês durante 12 meses não é equivalente a 12% por ano.
Taxa efectiva: o que realmente paga ou recebe
A taxa efectiva anual (TEA) reflecte a capitalização. A fórmula é TEA = (1 + i_nominal ÷ m)^m − 1, em que m é o número de capitalizações por ano.
Exemplo. Taxa nominal de 12%, capitalização mensal: TEA = (1 + 0,12 ÷ 12)^12 − 1 = 1,01^12 − 1 = 12,68%. Com capitalização trimestral, a TEA seria 12,55%; com capitalização diária, cerca de 12,75%. Quanto mais frequente a capitalização, maior a taxa efectiva, o que é bom para a poupança e mau para a dívida.
Para comparar produtos de periodicidades diferentes, converta tudo para a mesma base, de preferência a taxa efectiva anual. Valores ilustrativos.
Taxas equivalentes: converter entre períodos
Duas taxas de períodos diferentes são equivalentes se produzem o mesmo resultado no mesmo prazo. Para passar de anual a mensal: i_mensal = (1 + i_anual)^(1/12) − 1. Uma taxa efectiva de 12,68% ao ano equivale a 1% ao mês. A conversão proporcional (dividir por 12) só vale para taxas nominais; nunca para taxas efectivas.
Este erro aparece em muitas propostas e simulações: multiplicar uma taxa mensal por 12 não dá a taxa efectiva anual, dá a nominal.
Taxa real: descontar a inflação
A taxa nominal diz quanto o dinheiro cresce; a taxa real diz quanto o poder de compra cresce. A relação de Fisher é (1 + i_real) = (1 + i_nominal) ÷ (1 + inflação).
Exemplo. Um depósito rende 15% ao ano e a inflação é 10%. Taxa real = 1,15 ÷ 1,10 − 1 = 4,55%. Note que a aproximação 15% − 10% = 5% é próxima, mas não exacta; a diferença cresce quando a inflação é alta. Se o depósito render 8% e a inflação for 10%, a taxa real é negativa (−1,8%): o dinheiro cresce em números, mas compra menos.
Em economias com inflação elevada, como se verificou em vários períodos em alguns países lusófonos, a taxa real é o único indicador que mostra se a poupança está a proteger o seu poder de compra. Veja a relação em inflação: causas, efeitos e como se mede.
Custo total do crédito: o papel das comissões
Os juros nominais raramente contam toda a história. Comissões de abertura, seguros obrigatórios, impostos e outras despesas aumentam o custo. A taxa que incorpora estes encargos chama-se, em muitos países, TAEG (taxa anual de encargos efectiva global) ou equivalente, e o regulador exige a sua divulgação em certos tipos de crédito. As regras exactas variam por país; confirme na legislação em vigor.
Exemplo simplificado. Pede 100 000 por um ano, a 10% de juros pagos no fim, e o banco cobra 2% de comissão de abertura no início. Recebe líquidos 98 000 e paga 110 000. A taxa efectiva do negócio é 110 000 ÷ 98 000 − 1 = 12,24%, e não os 10% anunciados.
Aplicar ao dia-a-dia: comparar duas ofertas
- Peça a taxa efectiva ou o custo total por escrito, não apenas a nominal.
- Compare o total a pagar, incluindo comissões, seguros e impostos.
- Confirme se a taxa é fixa ou variável e qual a referência (por exemplo, a taxa do banco central, a Euribor em Portugal ou outras).
- Em poupança, confirme se há imposto sobre os juros e a periodicidade da capitalização.
- Calcule a taxa real: compare com a inflação esperada para o período.
Erros comuns
- Achar que uma taxa mensal baixa é inofensiva: 3% ao mês equivale a 42,6% ao ano.
- Comparar taxas anuais de uma instituição com taxas mensais de outra sem converter.
- Ignorar comissões de processamento ou manutenção de conta no custo total.
- Esquecer que um depósito a taxa fixa pode perder valor real se a inflação subir durante o prazo.
Exercício resolvido: depósito ou obrigação?
O Banco A oferece 9% ao ano com juros capitalizados trimestralmente. O Banco B oferece 9,1% ao ano com capitalização anual. Qual rende mais? Para A: TEA = (1 + 0,09 ÷ 4)^4 − 1 = 1,0225^4 − 1 = 9,31%. Para B: TEA = 9,10%. Apesar de a taxa anunciada ser menor, a oferta A é mais vantajosa, por ter capitalização mais frequente.
Se a inflação esperada for 6%, as taxas reais são 3,12% (A) e 2,92% (B). Se houver imposto sobre os juros, a taxa líquida de cada uma será menor; as regras fiscais variam por país e mudam com o tempo, pelo que deve confirmar a que se aplica a si.
Reter o método: converter tudo para a mesma base (efectiva anual), subtrair custos e impostos, e só depois comparar com a inflação.
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Perguntas frequentes
Taxa efectiva e TAEG são a mesma coisa?
Não. A efectiva considera a capitalização dos juros; a TAEG, onde existe, inclui também comissões e outros encargos obrigatórios do crédito.
Taxa real pode ser negativa?
Sim, quando a inflação é superior à taxa nominal. Neste caso a poupança perde poder de compra.
Qual a taxa certa para comparar créditos?
Uma taxa que contenha todos os custos obrigatórios e esteja na mesma base temporal, como a TAEG ou o custo total do crédito.