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Inquéritos e amostragem: como planear, recolher e evitar vieses

Planear um inquérito: população, base de amostragem, tipos de amostra, tamanho, redacção das perguntas e vieses, com exemplo de amostra estratificada.

Um inquérito só é tão bom quanto a amostra e as perguntas. Muitos trabalhos de economia e gestão falham não nas contas, mas na recolha: uma amostra de conveniência, perguntas que sugerem a resposta, taxas de resposta baixas. O planeamento prévio evita estes problemas.

Infografia com os pontos principais de: Inquéritos e amostragem: como planear, recolher e evitar vieses

Passo a passo para planear

  1. Definir o objectivo e as perguntas de investigação: o que quer decidir com os resultados?
  2. Definir a população-alvo: por exemplo, clientes activos nos últimos 12 meses.
  3. Obter a base de amostragem: a lista de onde se extrai a amostra (ficheiro de clientes, lista de empresas).
  4. Escolher o método de amostragem e calcular a dimensão.
  5. Desenhar e testar o questionário com um piloto.
  6. Recolher, acompanhar a taxa de resposta e tratar os dados.
  7. Analisar e relatar com margens de erro e limitações.

Tipos de amostragem

Principais métodos
MétodoComo funcionaVantagem / limite
Aleatória simplesCada elemento tem a mesma probabilidade de ser escolhido (sorteio)Base da teoria; exige lista completa
SistemáticaEscolhe-se um de cada k elementos a partir de um início aleatórioSimples; cuidado com padrões na lista
EstratificadaDivide-se a população em grupos homogéneos e sorteia-se em cada umGarante representação; melhora a precisão
Por clustersSorteiam-se grupos (lojas, bairros) e inquirem-se todos ou parteBarata, mas menos precisa
Conveniência / voluntáriosQuem estiver disponívelRápida, mas enviesada; não permite generalizar

Exemplo resolvido: amostra estratificada e sistemática

Uma empresa tem 5 000 clientes: 3 000 de retalho e 2 000 de grossistas. Pretende inquirir 250.

  1. Estratificação proporcional: retalho 3 000 ÷ 5 000 × 250 = 150; grossistas 2 000 ÷ 5 000 × 250 = 100.
  2. Dentro de cada estrato, sorteia-se aleatoriamente (por exemplo, com RANDBETWEEN numa folha de cálculo).
  3. Alternativa sistemática: k = 5 000 ÷ 250 = 20. Escolhe-se um número inicial aleatório entre 1 e 20, digamos 7, e inquirem-se os clientes 7, 27, 47, e assim sucessivamente.

Se a lista estiver ordenada por data de adesão e houver padrões periódicos, a sistemática pode ser enviesada: baralhe a lista antes. Valores ilustrativos.

Quantos inquiridos

Depende da margem de erro e do nível de confiança desejados, e não da percentagem da população. Para uma proporção, com 95% e margem de 5 p.p., o pior caso dá cerca de 385 inquiridos; para 3 p.p., cerca de 1 068 (cálculo no artigo sobre margem de erro). Em populações pequenas, aplica-se uma correcção que reduz o n necessário. Cada subgrupo que queira analisar precisa também de dimensão suficiente.

Vieses que estragam os resultados

  • Viés de selecção: a amostra não representa a população (inquérito online que exclui quem não tem internet).
  • Não resposta: quem responde é diferente de quem não responde (os muito satisfeitos e os muito zangados).
  • Viés de cobertura: a base de amostragem omite parte da população.
  • Desejabilidade social: as pessoas respondem o que parece bem visto.
  • Viés do entrevistador: tom e insistência condicionam as respostas.

Como escrever boas perguntas

  • Uma ideia por pergunta: evite "Está satisfeito com o preço e a qualidade?".
  • Linguagem neutra: "Como avalia o atendimento?" em vez de "Não concorda que o nosso excelente atendimento...?".
  • Opções de resposta exaustivas e que não se sobreponham (idades 18-24, 25-34, e não 18-25, 25-35).
  • Escalas consistentes (por exemplo, 1 a 5) e com extremos identificados.
  • Perguntas sensíveis (rendimento) no fim e em intervalos.
  • Testar com 5 a 10 pessoas antes de lançar.

Ética e protecção de dados

Informe sobre o objectivo, garanta a participação voluntária e o anonimato ou a confidencialidade, recolha apenas os dados necessários e respeite a legislação de protecção de dados aplicável no país. Os institutos nacionais de estatística publicam as metodologias de inquéritos oficiais, que são excelentes modelos de boas práticas. Para a amostragem no contexto da auditoria, veja amostragem em auditoria.

Exercício: encontrar o viés

Uma faculdade quer saber se os estudantes estão satisfeitos com a biblioteca. Coloca um questionário online no seu perfil de redes sociais e obtém 120 respostas, 90% positivas. Que problemas vê?

  1. A população-alvo (todos os estudantes) não coincide com quem segue o perfil, que tende a ser mais ligado à instituição.
  2. Quem responde é voluntário; os que usam a biblioteca respondem mais do que os que não a usam, e os muito satisfeitos ou muito insatisfeitos respondem mais.
  3. Não há base de amostragem nem selecção aleatória, logo a margem de erro calculada para 120 respostas não tem validade.
  4. Melhoria: obter a lista de estudantes, sortear uma amostra estratificada por curso e ano, e insistir com os que não respondem.

Esta análise crítica é frequentemente pedida em exames e também é útil em leitura de notícias: antes de aceitar uma percentagem, pergunte como foi escolhida a amostra.

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Perguntas frequentes

Basta ter muitas respostas para o inquérito ser fiável?

Não. Muitas respostas de uma amostra enviesada continuam enviesadas. A forma como a amostra é escolhida importa mais do que o seu tamanho.

Um inquérito online é válido?

Pode ser, para populações com acesso à internet e com mecanismo de selecção claro. Com divulgação aberta e voluntários, os resultados não generalizam.

Que taxa de resposta é aceitável?

Não há valor universal. O importante é acompanhar quem não responde e avaliar se isso pode enviesar as conclusões.

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