Contabilidade para quem importa produtos: custos, impostos e prazos
Como contabilizar a importação de mercadorias: custo de aquisição, direitos aduaneiros, transporte, IVA, câmbio, stocks e documentos a guardar.
Quem importa não paga apenas ao fornecedor. Entre a factura de origem e a prateleira há transporte, seguro, direitos aduaneiros, impostos, despachante e câmbio. Se tudo isto não entrar no custo, o preço de venda está errado.

Qual é o custo real de uma importação
O custo de aquisição de uma mercadoria importada inclui, em regra, o preço de compra e os custos necessários para a colocar no local e no estado em que pode ser vendida: transporte, seguro, direitos aduaneiros e outros encargos não recuperáveis, e despesas de despacho. Os impostos recuperáveis, como o IVA dedutível, não entram no custo. A classificação exacta depende da norma contabilística aplicada no país; confirme com o seu contabilista.
Exemplo resolvido, com valores ilustrativos
| Item | Valor (moeda local) |
|---|---|
| Preço da mercadoria (10 000 USD a 900) | 9 000 000 |
| Frete e seguro internacionais | 900 000 |
| Direitos aduaneiros (valor ilustrativo) | 1 200 000 |
| Despachante e taxas portuárias | 300 000 |
| Transporte interno | 200 000 |
| Custo total de aquisição | 11 600 000 |
| Unidades importadas | 1 000 |
| Custo por unidade | 11 600 |
Se o dono fixasse o preço de venda pensando apenas em 9 000 por unidade, estaria a vender abaixo do custo. Os valores são redondos e ilustrativos; as taxas reais variam por produto, país e acordo comercial.
Os documentos e o registo
- Factura do fornecedor, com moeda, descrição e valor.
- Documento de transporte e seguro.
- Declaração aduaneira com valores liquidados.
- Comprovativos de pagamento de direitos e impostos.
- Factura do despachante e dos transportes.
- Comprovativo da transferência ao fornecedor e do câmbio aplicado.
Câmbio e momento do registo
A compra é registada à taxa de câmbio da data da operação, segundo a norma aplicável; se o pagamento ocorrer mais tarde com câmbio diferente, a diferença é ganho ou perda cambial. É prudente guardar o comprovativo bancário com a taxa utilizada. Se importa com frequência, convém definir uma política de registo com o contabilista, para que todos os lançamentos sigam o mesmo critério.
Stocks, margem e preço de venda
Depois de contabilizada, a mercadoria entra em stock pelo custo total. A margem deve ser calculada sobre esse custo e não sobre o preço da factura. Um erro comum é esquecer custos que chegam depois, como a factura do despachante ou uma taxa adicional, e ficar com stock subavaliado e margem sobrestimada. Acompanhe os lotes: um lote, um custo.
Como organizar o dossier de cada importação
Cada importação deve ter uma pasta, física ou digital, com tudo o que a documenta: contrato ou encomenda, factura do fornecedor, documentos de transporte e seguro, declaração aduaneira, comprovativos de impostos e direitos pagos, factura do despachante e comprovativos de pagamento. Dê a cada pasta um código de lote e use o mesmo código nos registos de stock. Quando chegar a inspecção, o fecho do ano ou uma dúvida sobre o custo de uma unidade, tudo estará num só lugar. A Contas Organizadas presta apoio nesta área; veja a página de gestão documental.
- Digitalize os documentos no dia em que chegam.
- Nomeie ficheiros com data, fornecedor e código de lote.
- Guarde os originais pelo período legal, que varia por país.
- Registe quem aprovou cada pagamento ao exterior.
Erros frequentes
- Ignorar custos acessórios e subestimar o custo unitário.
- Não guardar documentos aduaneiros, o que pode impedir a dedução de impostos.
- Esquecer o risco cambial entre compra e pagamento.
- Misturar lotes e perder a rastreabilidade do custo.
- Pagar a terceiros sem comprovativo adequado para a contabilidade.
Em Angola e em Portugal
Em Angola, a importação envolve direitos aduaneiros, outros impostos e procedimentos cambiais junto dos bancos, e as regras mudam com o tempo; confirme com o seu despachante e contabilista antes de encomendar. Em Portugal, as compras a fornecedores da União Europeia seguem regras de IVA intracomunitário, sem direitos aduaneiros, e as compras a países terceiros passam por declaração aduaneira e direitos. Em ambos os casos, o registo rigoroso do custo evita preços mal formados. O plano de tesouraria ajuda a prever os pagamentos de importação, que tendem a ser grandes e concentrados.
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Perguntas frequentes
Os direitos aduaneiros entram no custo?
Em regra sim, quando não são recuperáveis. O IVA dedutível não entra. Confirme com o contabilista o tratamento aplicável.
Posso usar um despachante?
É frequente e útil, sobretudo em primeiras importações. Peça orçamento, descrição do serviço e comprovativos de tudo o que paga em seu nome.
Como evito pagar demais por câmbio?
Compare taxas, planeie as compras de moeda e, se possível, concentre pagamentos. Não existe fórmula milagrosa; o essencial é prever e registar.