Análise vertical e horizontal: exercício resolvido com demonstração de resultados e balanço
Exercício resolvido de análise vertical e horizontal: percentagens sobre as vendas e sobre o total do activo, variações entre anos e conclusões.
A análise vertical diz o peso de cada rubrica dentro de um total; a análise horizontal diz quanto cada rubrica variou entre períodos. Juntas, transformam duas páginas de números em perguntas concretas. Este exercício aplica as duas a uma demonstração de resultados e a um balanço de dois anos.

Métodos e fórmulas
- Análise vertical (estrutura): cada rubrica dividida por uma base do mesmo período. Na demonstração de resultados, a base são as vendas; no balanço, o total do activo.
- Análise horizontal (evolução): variação percentual de cada rubrica entre dois períodos = (valor do ano 2 - valor do ano 1) / valor do ano 1.
A vertical permite comparar empresas de dimensão diferente e ver a estrutura de custos; a horizontal revela tendências e rubricas que crescem mais depressa do que as vendas.
Dados: demonstração de resultados
Valores ilustrativos. A coluna Estrutura mostra cada rubrica em percentagem das vendas do respectivo ano.
| Rubrica | Ano 1 | Ano 2 | Variação | Estrutura Ano 1 | Estrutura Ano 2 |
|---|---|---|---|---|---|
| Vendas | 800 000 | 920 000 | +15,0% | 100,0% | 100,0% |
| Custo das mercadorias vendidas | (480 000) | (575 000) | +19,8% | 60,0% | 62,5% |
| Margem bruta | 320 000 | 345 000 | +7,8% | 40,0% | 37,5% |
| Gastos operacionais | (220 000) | (250 000) | +13,6% | 27,5% | 27,2% |
| Resultado operacional (EBIT) | 100 000 | 95 000 | -5,0% | 12,5% | 10,3% |
| Juros suportados | (15 000) | (20 000) | +33,3% | 1,9% | 2,2% |
| Resultado antes de impostos | 85 000 | 75 000 | -11,8% | 10,6% | 8,2% |
| Imposto (25%) | (21 250) | (18 750) | -11,8% | 2,7% | 2,0% |
| Resultado líquido | 63 750 | 56 250 | -11,8% | 8,0% | 6,1% |
Leitura da demonstração de resultados
- As vendas subiram 15%, mas o custo das mercadorias subiu quase 20%: a margem bruta caiu de 40% para 37,5%. É o sinal mais importante do exercício e pode vir de preços de compra mais altos, descontos concedidos ou mudança do cabaz de produtos.
- Os gastos operacionais cresceram 13,6%, menos do que as vendas, e baixaram ligeiramente em peso (de 27,5% para 27,2%). Há aqui algum ganho de eficiência, insuficiente para compensar a perda de margem bruta.
- O resultado operacional desceu 5% apesar do crescimento das vendas. Isto é crescimento sem rentabilidade.
- Os juros aumentaram 33%, o que indica mais dívida, como o balanço vai confirmar.
Dados: balanço
Em análise vertical do balanço, a base é o total do activo (igual ao total do capital próprio e passivo).
| Rubrica | Ano 1 | Ano 2 | Variação | Estrutura Ano 1 | Estrutura Ano 2 |
|---|---|---|---|---|---|
| Activos fixos tangíveis | 400 000 | 470 000 | +17,5% | 57,1% | 53,4% |
| Existências | 120 000 | 190 000 | +58,3% | 17,1% | 21,6% |
| Clientes | 140 000 | 200 000 | +42,9% | 20,0% | 22,7% |
| Caixa e bancos | 40 000 | 20 000 | -50,0% | 5,7% | 2,3% |
| Total do activo | 700 000 | 880 000 | +25,7% | 100,0% | 100,0% |
| Capital próprio | 350 000 | 395 000 | +12,9% | 50,0% | 44,9% |
| Financiamento a longo prazo | 150 000 | 250 000 | +66,7% | 21,4% | 28,4% |
| Passivo corrente | 200 000 | 235 000 | +17,5% | 28,6% | 26,7% |
| Total do capital próprio e passivo | 700 000 | 880 000 | +25,7% | 100,0% | 100,0% |
Leitura do balanço e ligação com os resultados
- Existências +58% e clientes +43%, contra vendas +15%: o negócio está a imobilizar muito mais dinheiro em stock e em crédito a clientes do que o crescimento justifica.
- Caixa a metade (de 40 000 para 20 000), em simultâneo com mais dívida de longo prazo (+66,7%): o crescimento foi financiado por empréstimos e não gerou caixa.
- Autonomia financeira desceu de 50% para 44,9%; o peso do capital próprio diminui, o do financiamento alheio aumenta.
- Os activos fixos subiram 17,5%, também mais do que as vendas, o que sugere investimento ainda sem retorno visível.
Conclusão do exercício e cuidados
Cruzando as duas análises: a empresa cresce em vendas mas perde margem, acumula stocks e crédito a clientes, consome caixa e financia-se com dívida, cujos juros já pressionam o resultado. As perguntas seguintes seriam: porque subiu o custo das mercadorias? Há clientes a pagar mais tarde? Parte das existências é obsoleta? Que prazo de recebimento se concedeu para crescer?
- Compare sempre com uma referência: o ano anterior, o orçamento ou empresas do sector. Uma estrutura isolada diz pouco.
- Verifique a base de comparação: alterações de política contabilística ou reclassificação de rubricas distorcem a análise horizontal.
- Cuidado com inflação: em economias com inflação elevada, uma variação nominal de 15% pode ser queda real. Considere a evolução dos preços.
- Variações em valores pequenos dão percentagens enormes sem significado económico.
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Perguntas frequentes
Qual a base da análise vertical no balanço?
O total do activo, que é igual ao total do capital próprio e passivo. Cada rubrica expressa-se em percentagem desse total.
Qual a base da análise vertical na demonstração de resultados?
Normalmente as vendas, ou o volume de negócios, o que permite ver quanto de cada 100 de vendas fica em cada nível de resultado.
Como se calcula a variação na análise horizontal?
Subtrai-se o valor do período anterior ao do período actual e divide-se pelo do período anterior, multiplicando por 100.
A análise vertical e horizontal substitui os rácios?
Não, complementa-os. Mostra onde olhar; os rácios quantificam liquidez, endividamento e rendibilidade.