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Financiamento para PME: opções e como se preparar

Principais fontes de financiamento para PME, vantagens e riscos de cada uma, como escolher e como preparar a empresa para pedir apoio.

Quase toda a PME precisa de financiamento em algum momento: para crescer, investir, cobrir sazonalidade ou atravessar uma má fase. A pergunta certa não é apenas onde obter dinheiro, mas que tipo de dinheiro serve para cada necessidade, a que custo e com que risco.

Infografia com os pontos principais de: Financiamento para PME: opções e como se preparar

Primeiro: para que é o dinheiro?

O erro mais caro é financiar uma necessidade com o instrumento errado, por exemplo, pagar uma máquina que dura dez anos com um descoberto que se paga em trinta dias. Regra geral: investimento duradouro com dinheiro de longo prazo; necessidade corrente com dinheiro de curto prazo.

As principais opções

As opções disponíveis variam por país e mudam com o tempo.
OpçãoPara que serveVantagensRiscos
Capital próprio dos sóciosQualquer, em especial arranqueSem juros nem prestaçõesDilui ou compromete património pessoal
Lucros retidosCrescimento orgânicoSem custo financeiro externoMenos dividendos, crescimento mais lento
Crédito bancário a médio e longo prazoInvestimentosPrazos longos, taxas conhecidasGarantias, juros, prestações fixas
Linha de crédito ou descobertoPicos de caixaFlexibilidadeCusto elevado, dependência
Leasing ou aluguer operacionalEquipamentos e veículosMenor desembolso inicialCusto total superior; contrato rígido
Desconto de facturas e factoringAntecipar recebimentosCaixa imediataCusto e perda de margem
Crédito de fornecedoresComprasSem juros explícitosPode perder descontos, depende da relação
Programas de apoio, linhas públicas e garantiasPME em geral ou sectores prioritáriosCondições melhoresBurocracia, condições específicas
Investidores (capital de risco, business angels)Crescimento aceleradoDinheiro e rede de contactosCedência de capital e controlo

Como escolher

  1. Defina o montante e o prazo reais, com margem de segurança.
  2. Calcule a capacidade de pagamento: resultado operacional mais amortizações dividido pelas prestações anuais. Se não cobre com folga, o financiamento é arriscado.
  3. Compare o custo total (taxa, comissões, seguros, garantias), não apenas a prestação.
  4. Avalie as garantias exigidas e o risco para os sócios.
  5. Simule o cenário mau: vendas 20% abaixo. Consegue pagar?
  6. Evite concentração: não dependa de um único banco ou de um único instrumento.

Exemplo de capacidade de pagamento

Empresa com resultado operacional anual de 6 000 000 e amortizações de 1 000 000, ou seja, uma geração de caixa operacional aproximada de 7 000 000. Pretende um empréstimo cuja prestação anual é de 3 000 000.

Exemplo ilustrativo.
IndicadorCálculoResultado
Cobertura da prestação7 000 000 / 3 000 0002,3 vezes
Cenário de stress (vendas -20%, resultado -50%)3 000 000 + 1 000 000 = 4 000 000 / 3 000 0001,3 vezes

Mesmo no cenário mau, a empresa cobre as prestações, embora com pouca folga. Se o rácio ficasse abaixo de 1, o financiamento teria de ser menor ou mais longo.

Como preparar a empresa

  • Contabilidade organizada, com balanços e demonstrações de resultados actualizados. É a primeira coisa que o banco pede: veja que documentos e contas a empresa deve ter.
  • Situação regularizada com o Estado e a segurança social.
  • Plano de negócio ou de investimento, com previsões realistas e hipóteses claras. Um estudo de viabilidade ajuda.
  • Previsão de tesouraria que mostre como o crédito será pago.
  • Separação clara entre contas pessoais e da empresa.
  • Lista de garantias e de activos disponíveis.

Sinais de que não deve pedir mais crédito

  • Já usa descoberto de forma permanente.
  • Atrasa pagamentos a fornecedores e ao Estado.
  • Não sabe a margem dos seus produtos.
  • O novo crédito serviria para pagar crédito antigo, sem resolver a causa.
  • Não tem previsão realista de vendas.

Nestes casos, primeiro estabilize a empresa: reveja custos, recebimentos e preços.

Em Angola e em Portugal

Em Angola, o crédito bancário a PME é geralmente caro e exigente em garantias, pelo que programas públicos, linhas de apoio, microfinanças e capital próprio têm peso importante; confirme as linhas e os programas actuais junto de entidades oficiais e bancos. Em Portugal, existem linhas de crédito com garantia mútua, apoios ao investimento e programas europeus para PME, que variam com os ciclos de financiamento.

Em qualquer dos países, a base é a mesma: contas fiáveis, projecto claro e capacidade de pagar.

Passos práticos para os próximos 30 dias

  1. Defina a necessidade, o montante e o prazo.
  2. Organize os documentos financeiros dos últimos dois a três anos.
  3. Faça a simulação de capacidade de pagamento.
  4. Peça propostas a pelo menos duas ou três instituições e compare o custo total.
  5. Leia as cláusulas com atenção, em especial garantias, vencimento antecipado e comissões.
  6. Registe correctamente o financiamento na contabilidade.

A consultoria financeira e as finanças da Contas Organizadas podem preparar o dossier de financiamento. Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado.

Quer ajuda com a contabilidade da sua empresa?

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Perguntas frequentes

Qual é a melhor fonte de financiamento?

Depende da necessidade, do prazo e do risco. Não existe uma melhor para todos os casos; por isso, compare custo total e adequação.

Os bancos exigem sempre garantias?

Frequentemente sim, especialmente para PME. Garantias mútuas ou públicas, quando existem, podem ajudar.

Posso pedir financiamento sem contabilidade organizada?

É muito difícil. O banco e os programas de apoio pedem contas fiáveis e actualizadas.

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