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O que são existências e como se valorizam: FIFO e custo médio

Existências e inventários explicados com exemplo numérico: FIFO, custo médio ponderado, valor realizável líquido e impacto no resultado.

Existências são os bens que a empresa tem para vender, em produção ou para consumir na actividade. O modo como se calcula o seu valor altera o custo das vendas e, por isso, o lucro. Perceber FIFO e custo médio é meia-batalha ganha na contabilidade de comércio e indústria.

Stock e inventario — imagem conceptual Contas Organizadas

O que são existências

  • Mercadorias: bens comprados para revenda sem transformação.
  • Matérias-primas e subsidiárias: materiais que serão incorporados na produção.
  • Produtos em curso: produção iniciada e ainda não concluída.
  • Produtos acabados e intermédios: produção concluída e pronta para venda.
  • Subprodutos e resíduos: resultados secundários da produção.

Estão no balanço como activo corrente. Se a empresa as perder, danificar ou não as conseguir vender, o valor tem de ser ajustado.

Custo das existências

As existências valorizam-se ao custo ou ao valor realizável líquido, o que for menor. O custo inclui preço de compra, direitos de importação e impostos não recuperáveis, transporte e outros gastos directamente ligados à aquisição, deduzidos de descontos. Gastos de armazenagem, desperdícios anormais e custos administrativos gerais, em regra, ficam de fora. Em produção, inclui matérias, mão-de-obra directa e uma parte dos gastos gerais de fabrico.

Sistemas de inventário

  • Inventário permanente: cada entrada e saída é registada, e o stock e o custo das vendas conhecem-se a todo o momento.
  • Inventário intermitente: contam-se as existências apenas no fim do período e o custo das vendas obtém-se por diferença: existências iniciais + compras − existências finais.

FIFO: primeiro a entrar, primeiro a sair

Pressupõe que as primeiras unidades compradas são as primeiras vendidas, de modo que o stock final é avaliado aos preços mais recentes. Exemplo: existência inicial 0. Compra 1: 100 unidades a 10. Compra 2: 100 unidades a 12. Vendem-se 150 unidades. Custo das vendas = 100 × 10 + 50 × 12 = 1 600. Stock final = 50 × 12 = 600. Valores ilustrativos.

Custo médio ponderado

Calcula-se um custo médio e aplica-se às saídas. No mesmo exemplo: custo total das compras = 100 × 10 + 100 × 12 = 2 200 para 200 unidades, média 11. Custo das vendas = 150 × 11 = 1 650. Stock final = 50 × 11 = 550. No inventário permanente, a média recalcula-se a cada nova compra; no intermitente, calcula-se uma vez no fim do período.

Comparação dos resultados

Com vendas de 150 unidades a 20 cada, receitas de 3 000. Com FIFO, a margem bruta é 3 000 − 1 600 = 1 400. Com custo médio, 3 000 − 1 650 = 1 350. A diferença é 50 e resulta apenas do método, não do negócio. Se os preços estivessem a descer, o efeito inverteria. O LIFO (último a entrar, primeiro a sair) daria custo de vendas 1 700 e margem de 1 300, mas é proibido nas IFRS e não é aceite em muitos países; confirme as regras do seu.

Valor realizável líquido (VRL)

É o preço de venda estimado menos os custos de conclusão e de venda. Se o VRL for inferior ao custo, regista-se uma perda por imparidade das existências. Exemplo: 50 unidades em stock a custo unitário de 12, mas o preço de venda caiu para 14 e os custos de venda são 3 por unidade. VRL por unidade: 11. Perda: (12 − 11) × 50 = 50. Lançamento: débito de Perdas por imparidade de existências 50; crédito de Imparidades acumuladas de existências 50. Assim, o balanço não mostra stock acima do que pode realisticamente recuperar-se.

Exemplo completo com várias compras e vendas

Considere o mês com os seguintes movimentos: dia 1, existência de 40 unidades a 10; dia 5, compra de 60 unidades a 11; dia 10, venda de 70 unidades; dia 15, compra de 50 unidades a 12; dia 20, venda de 30 unidades. Em inventário permanente com FIFO: a venda do dia 10 consome 40 × 10 + 30 × 11 = 730; ficam 30 a 11. A venda do dia 20 consome 30 × 11 = 330; ficam 50 a 12, ou seja 600 de stock final. Custo total das vendas = 730 + 330 = 1 060. Com custo médio permanente: no dia 5 a média é (40 × 10 + 60 × 11) / 100 = 10,6; a venda de 70 custa 742; ficam 30 a 10,6 = 318. No dia 15, média = (318 + 50 × 12) / 80 = 11,475; a venda de 30 custa 344,25; ficam 50 unidades por 573,75. Custo das vendas = 742 + 344,25 = 1 086,25. Valores ilustrativos. Os métodos dão custos diferentes, mas ambos fecham: existência inicial + compras = custo das vendas + stock final (400 + 660 + 600 = 1 660 = 1 060 + 600).

Boas práticas e erros

  • Contar fisicamente as existências, pelo menos uma vez por ano, e reconciliar com os registos.
  • Manter o mesmo método ao longo dos anos; se mudar, justificar e divulgar.
  • Tratar separadamente existências obsoletas, danificadas ou de rotação lenta.
  • Não esquecer existências em trânsito ou em consignação, que podem ou não pertencer à empresa.
  • Verificar o corte de operações: uma compra ou venda no fim do ano deve ficar no período correcto.

Ligação com resultados: reveja a demonstração de resultados, onde aparece o custo das mercadorias vendidas.

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Perguntas frequentes

Qual método é melhor, FIFO ou custo médio?

Nenhum é melhor em abstracto. O FIFO reflecte o fluxo físico em muitos negócios, o custo médio suaviza flutuações de preço. Convém seguir o que o referencial permite e usar o mesmo critério ao longo do tempo.

O método escolhido altera o imposto?

Pode alterar o lucro e, por isso, o imposto, mas muitos países limitam as opções aceites fiscalmente. Confirme na lei em vigor.

Preciso de inventário físico mesmo com sistema informático?

Sim. O inventário físico serve para confirmar os registos, detectar perdas, roubos, erros e obsolescência.

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