Elasticidade da procura: o que é, como se calcula e exemplos
Elasticidade-preço da procura explicada: fórmula, exemplos numéricos, bens elásticos e inelásticos e impacto na receita das empresas.
Sabe-se que, quando o preço sobe, a procura desce. A pergunta útil é: desce quanto? A elasticidade mede essa reacção e ajuda empresas a decidir preços e governos a prever o efeito de impostos.

Definição e fórmula
A elasticidade-preço da procura mede a sensibilidade da quantidade procurada a variações do preço. Calcula-se dividindo a variação percentual da quantidade pela variação percentual do preço:
Ep = (% variação da quantidade) ÷ (% variação do preço)
Como a procura normalmente desce quando o preço sobe, o resultado é negativo; por convenção costuma analisar-se o valor absoluto.
Exemplo numérico resolvido
Uma loja vende 200 unidades por semana a 1 000 Kz. Sobe o preço para 1 100 Kz (+10%) e as vendas caem para 170 unidades (−15%). Valores ilustrativos.
Elasticidade = −15% ÷ +10% = −1,5; em valor absoluto, 1,5. Como é superior a 1, a procura é elástica: a quantidade reage mais do que proporcionalmente ao preço.
Elástica, inelástica e unitária
- Elástica (|Ep| > 1): consumidores muito sensíveis ao preço; típico de bens de luxo ou com muitos substitutos.
- Inelástica (|Ep| < 1): consumidores pouco sensíveis; típico de bens essenciais ou sem substitutos próximos.
- Unitária (|Ep| = 1): a variação percentual da quantidade iguala a do preço.
- Perfeitamente inelástica / elástica: casos limite, úteis em teoria (medicamento vital; produto idêntico ao dos concorrentes).
O que determina a elasticidade
- Existência de substitutos: quanto mais, mais elástica. Se a marca A sobe, passa-se para a B.
- Essencialidade: sal, electricidade e transporte diário são pouco elásticos.
- Peso no orçamento: um aumento do preço de algo caro pesa mais.
- Horizonte temporal: a longo prazo, as pessoas ajustam hábitos e a procura fica mais elástica.
- Definição do mercado: a procura de combustível em geral é menos elástica do que a de uma marca específica de combustível.
Elasticidade e receita total
A receita total é preço × quantidade. Quando o preço sobe, há dois efeitos opostos: cada unidade vendida rende mais, mas vendem-se menos unidades. A elasticidade diz qual dos efeitos domina.
Se a procura é elástica, a queda da quantidade pesa mais do que o ganho por unidade, e a receita desce. Se é inelástica, o ganho por unidade domina, e a receita sobe. Se é unitária, os dois efeitos compensam-se e a receita fica praticamente igual.
Regras práticas para decisões
- Procura elástica: subir o preço reduz a receita; baixar aumenta-a.
- Procura inelástica: subir o preço aumenta a receita; baixar reduz.
- No exemplo da loja: receita antes = 200 × 1 000 = 200 000; depois = 170 × 1 100 = 187 000. A subida de preço reduziu a receita, coerente com procura elástica.
- Atenção: receita não é lucro. É preciso considerar custos, que também mudam com a quantidade vendida.
Um exemplo com elasticidade-rendimento
Suponha que o rendimento das famílias de uma cidade sobe 10% e a procura de restaurantes aumenta 15%, enquanto a procura de farinha de mandioca a granel cai 3%. Valores ilustrativos.
A elasticidade-rendimento dos restaurantes é +1,5 (bem normal e de luxo relativo: cresce mais do que o rendimento) e a da farinha é −0,3 (bem inferior: as famílias, ao enriquecerem, substituem-no por alternativas de qualidade superior). Esta distinção ajuda um empresário a perceber que sectores crescem com a economia e quais perdem peso.
Outras elasticidades úteis
- Elasticidade-rendimento: como a procura varia quando o rendimento muda. Bens normais têm valor positivo; bens inferiores, negativo.
- Elasticidade cruzada: como a procura de um bem reage ao preço de outro. Positiva para substitutos, negativa para complementares.
- Elasticidade da oferta: sensibilidade da quantidade oferecida ao preço.
Segundo exemplo: um bem essencial
Uma farmácia vende 500 embalagens mensais de um xarope a 2 000 Kz. Aumenta o preço 10% (para 2 200 Kz) e as vendas caem 2% (para 490 embalagens). Valores ilustrativos.
Elasticidade = −2% ÷ +10% = −0,2: procura muito inelástica. Receita antes: 500 × 2 000 = 1 000 000. Receita depois: 490 × 2 200 = 1 078 000. A receita subiu 78 000, porque os clientes precisam do produto e têm poucas alternativas.
Compare com o exemplo da loja: o mesmo gesto (subir o preço 10%) teve efeitos opostos sobre a receita. É por isso que gestores devem estimar a elasticidade antes de mexer nos preços, em vez de seguir intuições gerais.
Erros frequentes no cálculo
- Calcular variações percentuais com a base errada: a variação é sempre sobre o valor inicial (ou, no método do ponto médio, sobre a média dos dois valores).
- Comparar valores em unidades diferentes em vez de percentagens.
- Esquecer que a elasticidade muda ao longo da curva: o mesmo bem pode ser inelástico a preços baixos e elástico a preços altos.
- Concluir que um bem é sempre elástico ou inelástico: depende do mercado, do período e do consumidor.
Aplicações e cuidados
Governos usam a elasticidade para estimar a receita de impostos sobre tabaco, álcool ou combustíveis: sendo a procura pouco elástica, a quantidade cai pouco e a cobrança mantém-se. Empresas usam-na em promoções e política de preços. Mas os valores medidos são estimativas, dependem do período e do contexto, e não devem ser extrapolados mecanicamente.
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Perguntas frequentes
Elasticidade e declive da curva são a mesma coisa?
Não. O declive depende das unidades; a elasticidade usa variações percentuais e por isso varia ao longo da mesma curva linear.
Porque se usa o valor absoluto?
Porque o sinal é quase sempre negativo na procura; o que interessa é a dimensão da reacção.
Um bem pode ser elástico para uns e inelástico para outros?
Sim. Depende do rendimento, das alternativas disponíveis e do hábito de cada grupo de consumidores.