Início · Due diligence financeira: o que é e como preparar a empresa para ser analisada

Due diligence financeira: o que é e como preparar a empresa para ser analisada

O que é uma due diligence financeira, o que o comprador ou investidor vai pedir e como preparar contas e documentos para não perder valor.

Quando alguém quer comprar a sua empresa, entrar no capital ou conceder um financiamento importante, vai querer ver por dentro antes de assinar. Essa análise chama-se due diligence. Quem se prepara cedo negoceia melhor e evita atrasos.

Infografia com os pontos principais de: Due diligence financeira: o que é e como preparar a empresa para ser analisada

O que é a due diligence financeira

É uma verificação independente da situação financeira de uma empresa, feita por quem a vai comprar, financiar ou participar no capital. O objectivo é confirmar que os números apresentados são fiáveis, perceber os riscos escondidos e ajustar o preço ou as condições do negócio.

Existem outras vertentes (jurídica, fiscal, laboral, comercial). Aqui falamos da vertente financeira e contabilística, a que mais depende da qualidade das contas.

O que o analista costuma verificar

  • Qualidade dos resultados: as vendas são recorrentes ou pontuais? Há receitas reconhecidas cedo demais?
  • Balanço: activos existem de facto e estão bem valorizados? Há passivos por registar (dívidas, garantias, contingências)?
  • Dívida: empréstimos, locações, suprimentos de sócios e dívidas a fornecedores, ao Estado e aos trabalhadores.
  • Fundo de maneio: que nível de clientes, stock e fornecedores é normal para o negócio.
  • Tesouraria: a empresa gera caixa ou apenas lucro contabilístico?
  • Dependências: poucos clientes, poucos fornecedores ou uma só pessoa-chave.
  • Cumprimento fiscal e contributivo: declarações entregues, pagamentos em dia, dívidas em plano de pagamento.

Os problemas que mais reduzem o preço

Em regra, o comprador desconta no preço aquilo que encontra e não consegue medir. Os pontos que mais pesam são os mesmos que tornam uma contabilidade pouco fiável.

Do problema ao efeito no negócio
Problema encontradoReacção típica do comprador
Contas bancárias não reconciliadasDuvida do saldo de caixa e pede ajuste de preço
Stocks sem inventário fiávelExclui ou reduz o valor do stock
Dívidas fiscais ou contributivasPede que sejam pagas antes do fecho ou retidas do preço
Sócio a pagar despesas pessoais pela empresaNormaliza os resultados e reduz o lucro de referência
Contratos importantes sem documentoDesconfia da continuidade das receitas

Como preparar a empresa em 90 dias

  1. Dias 1 a 30: pôr a casa em ordem. Reconciliar bancos, clientes e fornecedores; fechar meses em atraso; regularizar obrigações fiscais e contributivas pendentes.
  2. Dias 31 a 60: documentar. Organizar contratos, licenças, actas, autorizações, extractos e declarações numa pasta única, com índice.
  3. Dias 61 a 90: contar a história. Preparar um resumo de três anos com vendas, margens, custos, tesouraria e perspectivas, e uma lista de ajustes não recorrentes explicados.

Ajustes de normalização: porque são úteis

Muitas PME têm despesas que não são normais num negócio autónomo: o salário do dono abaixo ou acima do mercado, rendas a familiares, viaturas de uso pessoal. Quem analisa vai querer saber qual seria o resultado se tudo estivesse a preço de mercado. Preparar essa leitura, de forma honesta e documentada, dá credibilidade.

Exemplo ilustrativo: o lucro contabilístico foi de 10 milhões. Há 2 milhões de despesas pessoais do dono e uma despesa extraordinária de 1 milhão que não se repetirá. O lucro normalizado seria de cerca de 13 milhões, mas só se tudo estiver documentado. Sem prova, o comprador não aceitará o ajuste.

Erros a evitar durante o processo

  • Esconder problemas: acabam por ser descobertos e fazem perder confiança e preço.
  • Entregar documentos em desordem, em vagas sucessivas.
  • Alterar números entre versões sem explicar.
  • Deixar a equipa sem saber o que se passa, o que provoca rumores e fugas de informação.
  • Divulgar informação sensível sem acordo de confidencialidade.

Checklist de documentos para a data room

  • Demonstrações financeiras e declarações fiscais dos últimos três anos.
  • Balancetes mensais do ano corrente.
  • Extractos bancários e reconciliações.
  • Lista de clientes e fornecedores com saldos e antiguidade.
  • Mapa de imobilizado e inventário de stocks.
  • Contratos de financiamento, locações e garantias.
  • Contratos de trabalho principais, mapa de salários e encargos sociais.
  • Licenças, autorizações e actas.

Uma pasta digital organizada por temas, com índice e acesso controlado, transmite profissionalismo e reduz o número de pedidos repetidos.

Em Angola e em Portugal

Em ambos os países, compradores e bancos olham com atenção para o cumprimento fiscal, a segurança social e a qualidade da contabilidade. Dimensões, exigências de auditoria e regras de transmissão de empresas variam e mudam com o tempo; confirme com profissionais locais. Em Angola, o enquadramento cambial e a documentação das operações com o exterior costumam merecer atenção; em Portugal, a regularidade das declarações e das obrigações perante a administração fiscal e a segurança social.

Quer ajuda com a contabilidade da sua empresa?

A Contas Organizadas faz o diagnóstico inicial e apresenta uma proposta escrita. Veja o pacote empresas ou peça uma proposta.

Perguntas frequentes

Quem faz a due diligence?

Normalmente uma equipa independente contratada pelo comprador ou investidor: contabilistas, auditores, advogados. A empresa vendedora deve preparar a informação.

Quanto tempo demora?

Depende da dimensão e da qualidade da informação. Uma empresa com contas organizadas acelera o processo de forma notável.

Uma empresa pequena também a pode ter?

Sim, embora mais simples. Mesmo uma análise limitada às contas, bancos e impostos é frequente antes de um negócio.

Conversar