Início · Diagnóstico inicial de contabilidade: o que é avaliado e para que serve

Diagnóstico inicial de contabilidade: o que é avaliado e para que serve

O que acontece num diagnóstico inicial de contabilidade: áreas avaliadas, documentos pedidos, resultados e como usar o relatório para decidir.

Antes de fixar preço ou de assumir uma contabilidade, uma boa empresa de contabilidade olha para o estado real das contas. É o diagnóstico inicial: um retrato do ponto de partida que evita surpresas para ambos os lados.

Imagem ilustrativa: Diagnóstico inicial de contabilidade: o que é avaliado e para que serve

O que é e o que não é

O diagnóstico é uma revisão rápida e estruturada da situação contabilística, fiscal e documental da empresa. Não é uma auditoria às demonstrações financeiras nem um parecer jurídico. Serve para três coisas: perceber o volume e a complexidade do trabalho, identificar problemas a corrigir e definir um plano realista de arranque.

Se a empresa já tem contabilidade, o diagnóstico mostra o que está em ordem e o que não está. Se é nova, avalia se a estrutura de facturação, bancos e documentos está preparada.

As áreas normalmente avaliadas

ÁreaO que se verifica
Registos contabilísticosSe os meses estão lançados, se há lacunas e se o plano de contas faz sentido
Bancos e caixaSe os saldos contabilísticos batem com os extractos
Clientes e fornecedoresSaldos antigos, duplicados e valores sem documento
Impostos e segurança socialDeclarações entregues, pagamentos feitos, notificações pendentes
PessoalContratos, processamento salarial e entregas obrigatórias
Imobilizado e existênciasSe existem mapas e se os valores são credíveis
ArquivoOnde estão os documentos e se estão completos

Que documentos o diagnóstico pede

  • Constituição da empresa e alterações.
  • Balancetes e demonstrações financeiras dos últimos exercícios.
  • Declarações fiscais e comprovativos de pagamento recentes.
  • Extractos bancários dos últimos meses.
  • Lista de trabalhadores e contratos.
  • Notificações e correspondência das autoridades.
  • Acessos ao portal fiscal, mediante autorização formal.

Se algum item não existir, não o invente: diga que falta. O diagnóstico é útil precisamente porque mostra lacunas.

Exemplo ilustrativo de resultado

Uma pequena empresa de serviços chega com doze meses de movimentos por lançar e três contas bancárias sem reconciliação. O diagnóstico conclui: volume médio de cerca de 80 documentos por mês, dois meses com impostos por apurar e uma notificação sem resposta. O plano propõe regularizar os meses em atraso em duas fases, começar o fecho mensal normal no mês seguinte e tratar a notificação com prioridade. Exemplo ilustrativo, sem valores reais.

Como se organiza o relatório de diagnóstico

  1. Resumo de uma página: situação geral e riscos principais.
  2. Lista de problemas por gravidade: urgente, importante, melhoria.
  3. Estimativa do trabalho de regularização e do trabalho recorrente.
  4. Proposta de calendário para os primeiros 90 dias.
  5. Responsabilidades da empresa e da contabilidade em cada etapa.

Como usar o diagnóstico para decidir

Compare a proposta de serviço com o diagnóstico: o preço deve reflectir o que foi encontrado. Se o diagnóstico revela atrasos grandes, é normal haver um custo único de regularização separado da mensalidade. Desconfie de propostas que ignoram o que foi visto ou que prometem resolver tudo sem calendário.

Também é legítimo levar o relatório a outra empresa para ter uma segunda leitura. Veja quando pedir uma segunda opinião.

O que a empresa deve preparar

  • Uma pessoa interna que conheça os factos e possa responder em poucos dias.
  • Autorizações de acesso a portais e bancos, só leitura sempre que possível.
  • Disponibilidade para uma reunião de apresentação dos resultados.
  • Abertura para ouvir más notícias: é para isso que serve.

Perguntas que o diagnóstico deve responder

  1. A contabilidade está actualizada, e até que mês?
  2. Os saldos de bancos, clientes e fornecedores são fiáveis?
  3. Há impostos ou contribuições por pagar, e a que ritmo crescem juros e coimas?
  4. Existe documentação suficiente para sustentar o que está registado?
  5. Os processos internos (facturação, compras, pagamentos) geram informação utilizável?
  6. Que riscos exigem acção nos próximos trinta dias?

Se o relatório não responde a estas perguntas com clareza, peça que o refaçam. Um diagnóstico vago é apenas uma fatura de horas.

Convém ainda perguntar quem fez o diagnóstico e com que experiência. Em equipas maiores, o trabalho de campo é feito por um profissional e revisto por outro; saber disto dá-lhe uma ideia da fiabilidade do que lê.

Erros de quem pede um diagnóstico

  • Esconder problemas para «ficar melhor na fotografia».
  • Pedir só um preço e não o relatório escrito.
  • Tratar o diagnóstico como substituto de uma auditoria formal.
  • Deixar o relatório na gaveta e não executar o plano.

Em Angola e em Portugal

As obrigações declarativas, os prazos e os portais variam por país e mudam com o tempo; o diagnóstico adapta-se à lei local. Em ambos os países, notificações sem resposta e declarações em atraso são prioridades porque acumulam coimas e juros. Confirme sempre as regras em vigor.

Quer ajuda com a contabilidade da sua empresa?

A Contas Organizadas faz o diagnóstico inicial e apresenta uma proposta escrita. Veja o pacote empresas ou peça uma proposta.

Perguntas frequentes

O diagnóstico é gratuito?

Depende do prestador e da complexidade; peça sempre a indicação do custo antes de começar.

Quanto tempo demora?

Em pequenas empresas, tipicamente alguns dias úteis desde a recepção dos documentos, mas varia com o estado do arquivo.

E se o diagnóstico encontrar irregularidades?

Elas são registadas e priorizadas. Muitas podem ser regularizadas com documentação; confirme as regras do seu país.

Conversar